viernes, 2 de marzo de 2007


Queridas alunas e queridos alunos:


Lamento nao ter escrito ultimamente mas tenho enfrentado vàrios obstàculos. Peço desculpa pelo atraso. Como alguns de vòs sabeis eu estive na India em companhia de Sua Eminência Sangye Nyenpa Rimpochè, o nosso querido Amigo Espiritual. Dizemos no Budismo que o Amigo Espiritual, muitas vezes mal traduzido como o Mestre, è o nosso Guia, a Escolta o Timoneiro. Depois de termos a base trabalho e de refletir sobre se a possuimos ou nao, necessitamos alguèm que nos ensine. Na tradiçao Tibetana chamamos de Lama. Esse Lama deve ter determinadas caracteristicas para que o aceitemos ou entao pode conduzir-nos a um abismo ainda maior daquele em que nos encontramos. " Quando cego guia cego, caem ambos dentro de àgua"

Dizemos que è o Guia porque como nao conseguimos ver o caminho que estamos a tomar devemos confiar inteiramente no seu conhecimento do terreno, dos costumes das paragens, os bons hoteis locais onde podemos descansar, onde melhor se come. Ele deve conhecer inteiramente o percurso que queremos trilhar. È chamado de Escolta porque tambèm deve conhecer todos os perigos dessa mesma viagen e protegernos deles, tem de ter os meios e a força para o fazer. È um caminho com muitos ladroes ( as emoçoes negativas) e muitos perigos. Em terceiro lugar ele è o timoneiro porque como sò ele conhece o caminho ele deve dirigir o barco da nossa pràtica para que as intemperies e os caprichos do oceano do samsara nao nos tomem desprevenidos, e este nao deve ser conduzido por nòs. Muitas vezes nòs temos a tendencia de querer manter o controlo da situaçao, decidir o que queremos ou nao praticar, e como faze-lo. Como nao temos nenhuma ideia nem aonde nos dirigimos nem quais sao os perigos è impossivel chegar ao destino desejado. Assim como um cego teria dificuldade de, sem um guia, chegar a uma cidade no deserto.

Existem quatro tipos diferentes de Lamas: um com um corpo fisico ordinàrio, o boddhisatva e Nirmanakaya e Sambogakaya de Buda. Como a nossa mente iludida e trantornada pela acçao nos impede de entrar em contacto com os ultimos três aquele com um corpo fisico ordinàrio è considerado o mais compasivo dos quatro.

Devemos tambèm saber se este Lama està verdadeiramente preparado e autorizado para ensinar. Para isso deve ter um conhecimento profundo da doutrina e boddhicitta ou pensamento do despertar que foi traduzido como Compaixao, mas que no fundo è o desejo profundo de que todos os seres nao sofram.

Normalmente eu ensino sobre o Amigo Espiritual de uma forma abreviada e sempre com a convicçao de que os meus alunos saibam sempre comportar se com o Lama ( Sua Eminencia Sangye Nyenpa Rimpochè) e com os ensinamentos precioso que sao transmitidos pela nossa tradiçao. Juntamente envio uma imagem da Arvore de Refugio ( a linhagem de Mestres da nossa linhagem Kagyupa) e estarei disponivel para responder a qualquer pergunta que tenham sobre esta. Junto envio tambèm a web do nosso precioso Lama ( por favor pensem que è um Lama muito ocupado) http://www.sangyenyenpa.org/home.html

Um abraço a todos com o desejo que sejam felizes. E se algum mèrito existe nestas curtas palavras que sejam dedicados à vossa evoluçao espiritual


Yeshi Gyatso

miércoles, 13 de diciembre de 2006

Base de trabalho

Base de trabalho
Ora se por um lado todos compreendemos que a natureza ultima de todas as coisas è Dharmakaya nem todos os seres podem compreender este facto. Por vezes devido a limitaçoes fisicas, psiquicas, intrinsecas ou extrinsecas. De todos os reinos que conhecemos, e que o budismo nos ensina que sao seis, embora nao acreditemos na existência de quatro, o unico capaz de escutar, estudar e praticar de forma a interiorizar esta ideia è o ser humano. O dharma do Buda ensina os seis reinos de existência que sao: Os reinos infernais, os reinos dos espìritos esfomeados, o reino dos animais, o dos humanos, o dos semi-deuses e o dos deuses.Estes reinos, que sao estados de consciência como dizia o ensinamento anterior aquando da resposta à Teresa e nao tendo uma natureza intrinseca, sendo compostos e dependentes, refletem-se uns nos outros. O que faz com que possamos nao acreditar nos quatro reinos que nao sao o reino animal e o reino dos humanos, mas vejamos o reflexo dos outros na vida dos humanos e dos animais. È inegavel que alguns seres humanos e animais vivem vidas completamente infernais ( torturas fisicas, psiquicas ) mesmo no seio das sociedades ditas evoluidas, de primeira categoria, quando o momento è oportuno nao se pode escapar a esta realidade. Gente queimada pelo fogo ou morrendo de frio. Lembro me de, aparte dos " coitadinhos" vagabundos em que pensais tambèm muita gente rica que morre de hipotermia no alto mar, em espediçoes a altas montanhas,etc. Gente que mesmo vivendo ao nosso lado e nascendo em condiçoes priveligiadas sao sequestrados e vivem penosas torturas, descritas nessas visoes desses reinos infernais. Tambèm o mundo dos espiritos esfomeados, que sao seres que sofrem devido à falta de comida e bebida e quando conseguem comer algo essa comida os queima por dentro, que têm bocas pequenas como uma agulha e os estômagos gigantes, se reflete no mundo dos humanos e dos animais. Quantos deles nao morrem devido à inaniçao? Quantos seres humanos e animais em paises Africanos e Asiàticos nao morrem devido a este sofrimento? muitos mais do que desejariamos è certo. Mas mesmo na nossa sociedade isso acontece. Lembro-me gente com cancer de estômago, que qualquer comida que comam è um verdadeiro sofrimento. Com ulceras e outros problemas similares. As bolimicas ou anorèticas que mesmo tendo comida, e mesmo que as suas mentes nao pensem noutra coisa que nao seja o relacionado com a comida, se privam desta. Entao poderemos ver aqui um reflexo dos reinos dos espìritos esfomeados. O reino dos animais todos conhecemos, sao descritos como um mundo de ignorancia e estupidez. Sei que para vòs que tendes animais de companhia, pode ser que discordais d termo estupidez, mas a estupidez tal como a descreve o budismo tem muito a ver com o facto de ignorar perigos, o encantamento pelos sentidos, o subter se a parametros falsos, a incapacidade fisica e intelectual de resolver problemas bàsicos, etc. O mundo dos Semi Deuses que segundo o budismo se descreve como seres de longa vida e que nao lhes faltam recursos para gozar de prazeres, mas que sempre vivem em guerras. Tambèm aqui vemos na vida dos seres humanos, os reis de paìses pobres, algum tipo de empresàrios, o mundo do coraçao como se diz aqui em españa onde toda a gente tem tudo mas passa a vida preocupado e em guerra com outros que tambèm nao lhes falta nada. E finalmente o reino dos Deuses que gozam de todos os prazeres e vivem absortos num estado de contemplaçao, tambèm se pode ver refletido no nosso mundo. Quando vemos aqueles jovens que sem esforço têm tudo, sao belos e dao-se com gente bela, vivem em climas temperados e a beleza rodeia a sua vida. Carros, casas, joias, comidas,etc. Dizemos que de entre estes seis reinos de existência o ùnico capaz de realizar a natureza ultima das coisas è a chamada preciosa existência humana.Esta existência, aparte de ter de ser humana, mesmo dentro desse reino deve ser livre de quatro condicoes desfavoraveis, que sao; aqueles que têm visoes erroneas e aqueles nascidos num periodo onde nao existe um Buda, nascido em paìses perifèricos ( onde nao nos podemos relacionar com gente virtuosa) ou sem capacidades mentais para o poder compreender. Chama-mos à liberdade em relaçao a estas oito condiçoes desfavoràveis " Ocasiao Unica". As oito condiçoes desfavoràveis como diziamos antes e para as esquematizar sao:

Nascer nos reinos infernais, espìritos esfomeados, animais
Membros das tribos perifèricas, Deuses de longa vida,
Com visoes erroneas e aqueles nascidos em periodos onde nao existe Buda e com problemas mentais.

Depois temos a " Conjuntura Perfeita" que sao as dez condiçoes que nos permitem dizer que temos uma existência preciosa. Elas sao 5 intrinsecas e 5 extrinsecas. As cinco intrinsecas sao :

Nascer ser-humano num paìs central e possuir todos as faculdades,
Nao cometer accoes crimes atrozes e ter confiança na fundaçao numa via de interiorizaçao.

As cinco extrinsecas sao:

A apariçao de um Buda neste mundo, o ensinamento da Doutrina, e existencia dos elementos dessa doutrina, haver quem pratique essa doutrina e a mantenha viva e por ultimo a compaixao e a bondade de alguèm que nos ensine.

A estas dez condiçoes chamamos de " Conjuntura Perfeita". Nestas condiçoes podemos dizer que temos uma preciosa existência humana, è chamada de preciosa porque è comparada a uma Pedra que Realiza todos os Desejos, uma expecie de lampada do Aladim. Muito dificil de obter e muito util.

Aparte disso è necessària a confiança e coragem. Existem três tipos de confiança; confiança esperança, ansia e lucida. A confiança esperança esta baseada na lei do karma e da causa e efeito. Ela è a experiência que cada um faz com a observaçao do resultado das acçoes positivas e negativas. Depois de observarmos que realmente sempre que agimos com bondade e compaixao para com os seres, sempre que refreamos as nossas emoçoes negativas sentimo-nos bem connosco pròprios e sempre que maltratamos os outros ou deixamos que as emoçoes negativas ( ira, ciumes, inveja apego, etc) invadam o nosso coraçao os resultados sao o stress, o nervosismos, o mal estar, etc. Depois começamos a ter confiança nos ensinamentos do Buda e na pròpria possibilidade de alcanzar a felicidade e temos a ansia de estudar os ensinamentos. Depois de verificar que esses ensinamentos sao verdadeiros vem a chamada confiança lùcida porque jà sabemos que os ensinamentos resistem à anàlise e à lògica. Entao fazemos o voto de tomar refùgio nas três Joias que sao o Buda, o Dharma e a Shanga. Mas sò o devemos fazer quando temos a certeza que os ensinamentos sao correctos.

Depois,como o caminho è muito dificil devido à estrutura do nosso ser, o enfrentamento da nossa pròpria paranoia è doloroso, a preguiça è grande, è necessàrio ter muita coragem. Sobretudo perante quatro factores que sao; a cobiça, o òdio o medo e a estupidez

Um ser com estas caracteristicas tem o vaso que pode conduzir à iluminaçao. Essa existência nao sò è muito dificil de conseguir mas tambèm è muito fàcil de perder. Nao devemos desaproveitar esta Ocasiao Unica, agora que temos a Conjuntura Perfeita.
Este è um ensinamento abreviado sobre a Base de trabalho.

Para o estender espero preguntas. Tambèm necessito a aprovaçao de todos para seguir a enviar os ensinamentos de forma que nao pense que estao a cair como emails normais, que a maioria nao os lemos.

Um abraço
Yeshi Gyatso ( o mais ignorante dos discipulos Thakpo Kagyu

lunes, 11 de diciembre de 2006

Ensinamentos de Yeshi Gyatso

Queridos seguidores de la tradicion ancestral de los Thakpo Kagyu:Despois de, para alguns, 12 anos de ensinamentos continuais a pedir me que vos transmita o verdadeiro dharma. Agora vou transmitir um ensinamento estruturado pelos grandes Mestres da nossa tradiçao, KarmaKagyu. Parto do principio que todos conhecemos um bocadinho as bases, qualquer conceito muito complicado serà explicado em grupo. Nao enviarei nenhum email pessoal referente a estes ensinamentos.
A primeira parte do ensinamento tal como ensinava Gampopa, um dos grandes eruditos da nossa tradiçao e o responsàvel da esquematizaçao dos ensinamentos Kagyupas, è que antes de querer seguir o caminho budista è nesessàrio saber o porquê de dito esforço. Chamamos a isto o " Motivo"poderia ser traduzido por " Motivaçao". Porquê praticar? porquê dicar-nos ao Budismo? e porquê estudà-lo? Dizia Gampopa que o Motivo è Tathagatagarbha ou o Motivo- Buda. Tathagatagarbha è a natureza de Buda, mas para explicà-lo è necessàrio compreender que coisa è esta chamada natureza de Buda. Em primeiro lugar no Budismo dizemos que a naturezade Buda è Dharmakaya, a natureza ultima de todas as coisas. Este Dharmakaya poderia ser interpretado de três formas diferente. A primeira è a ausência de caracteristicas, nao se pode apresentar a natureza ultima da mente diante de ninguèm, nao se pode apresentar uma cor, um cheiro, nao se pode tocà-la. Dizemos que è ausente de caracteristicas. Aparte as caracteristicas de algo nao sao a natureza ultima desse algo, mas a comparaçao entre isso e o resto. A relatividade de tudo. Uma coisa è considerada grande em comparaçao com a pequena. Entao Dharmakaya è " vazio de caracteristicas".Em segundo lugar tambèm è lucidez, todos os seres fazem a experiencia do Aqui-Agora. Todos fazemos a experiencia de ser. A isto chamamos de
palavra luminosidade.Em terceiro lugar dizemos que essa natureza ultima de todas as coisas pode ter experiencias ilimitadas. Essa lucidez vazia de caracteristicas pode experimentar, dependendo do entorno em que è envolvido, todo o tipo de experiencias. A de um animal ou de um ser humano. Dentro dos animais pode experimentar uma infinidade de experiencias diferentes, assim como nos seres humanos. Chamamos a isto" Inteligencia Ilimitada" De alguma forma todos acreditamos na realidade ultima das coisas. Na existência permanente, no espìrito ou alma. Na existencia inerente de todas as coisas e sobretudo na nossa." Eu sou, aquilo è". Buda ensinou que nada tem uma existencia inerente, que todas as coisas sao vazias de existencia inerente. Para ensinar isto Buda teve de percorrer um grande caminho de observaçao. Chegou à conclusao que todas as coisas sao compostas, sendo compostas nao podem ter uma natureza pròpria.Todas as coisas sao uma concatenaçao de causas, nao existem por si mesmas. È uma ilusao vê-las como autònomas e independentes. Observando o Universo inteiro nao podemos descobrir nada que nao seja composto,que tenha uma existencia independente e com o bisturi da anàlise verificamos que de facto isto è verdade. Se buscamos a identidade independente "casa" dentro de uma casa nao a conseguimos encontrar.Encontraremos paredes, tectos, janelas, portas, etc. Depois se procurarmos a entidade parede dentro da parede tambèm nao conseguiremos encontrar, veremos tijolos, cimento,etc. Dentro do cimento tambèm nao encontraremos a natureza inerente, serà areia,àgua, etc. Dentro da agua encontraremos molèculas de H2O, hidrogènio e oxigènio. Dentro deste dois elementos encontraremos atomos. Por sua vez dentro dos atomos encontramos electroes e protoes. Como estes ultimos tambem sao compostos, nao têm natureza inerente.


E tudo o que è existente tem de ser composto. Se nao for compostoteria de ser causa de si mesmo. Algo que possua em si mesmo o conjunto de causas necessàrias para o seu aparecimento deveria aparecer sem fim. Pois as causas do seu aparecimento estariam todas reunidas e quando todas as causas estao reunidas as coisas aparecem. Tambem, por outro lado uma coisa que tem uma existencia inerente sendo causa dela pròpria teria de passar em algum momento da inexistencia à existência, mas se antes nao existia como poderia ser causa de ela pròpria? E se argumentamos que nao tem principio como poderà ter meio?Alèm disso algo que è permanente nao se pode relacionar com nada nem pode ser causa de nada pois segundo a fisica a lei de causa e efeito è reciproca para as duas partes. A causa sofre transformaçao pelo efeito assim como a semente è transformada ao causar um rebento. Se uma natureza inerente e pròpria existisse essa nao se poderia relacionarcom nada, nao se poderia transformar porque entao jà nao seria intrinsecamente igual a ela pròpria.Dizemos no budismo entao que todas as coisas sao vazias de existencia inerente. Esse vazio è o que se chama de Sunyata e o que faz com que a interdependencia dos fenòmenos e os fenòmenos possam aparecer " se os cèus fossem de pedra as àrvores nao poderiam crescer". Esse vazio de natureza pròpria, acompanhado pela lucidez y a abertura ilimitada da experiencia è o que chamamos de Dharmakaya, a Natureza de Buda. Ora como vimos essa Natureza Vazia de Existencia Inerente permeia todas as coisas e todos os seres sao permeados pela Lucidez e pelo Terreno Base ou Inteligencia Ilimitada, e por isso dizemos que todos os seres têm aNatureza de Buda. Este è o motivo que nos leva a praticar o Dharma, a aprender a meditaçao budista. A este capitulo chamamos de " O motivo".E agora torna-se claro porque è o Motivo è Tathagatagarbha.Qualquer pergunta que me queiram fazer a este respeito, e desculpo me desde jà a falta de acentos e os erros ortograficos mas nao tenho tempo de fazer uma revisao do texto e escrevo à medida que penso, pode ser enviada para esta direcçao e serà respondida com celeridade.Um abraço,Yeshi Gyatso