Base de trabalho
Ora se por um lado todos compreendemos que a natureza ultima de todas as coisas è Dharmakaya nem todos os seres podem compreender este facto. Por vezes devido a limitaçoes fisicas, psiquicas, intrinsecas ou extrinsecas. De todos os reinos que conhecemos, e que o budismo nos ensina que sao seis, embora nao acreditemos na existência de quatro, o unico capaz de escutar, estudar e praticar de forma a interiorizar esta ideia è o ser humano. O dharma do Buda ensina os seis reinos de existência que sao: Os reinos infernais, os reinos dos espìritos esfomeados, o reino dos animais, o dos humanos, o dos semi-deuses e o dos deuses.Estes reinos, que sao estados de consciência como dizia o ensinamento anterior aquando da resposta à Teresa e nao tendo uma natureza intrinseca, sendo compostos e dependentes, refletem-se uns nos outros. O que faz com que possamos nao acreditar nos quatro reinos que nao sao o reino animal e o reino dos humanos, mas vejamos o reflexo dos outros na vida dos humanos e dos animais. È inegavel que alguns seres humanos e animais vivem vidas completamente infernais ( torturas fisicas, psiquicas ) mesmo no seio das sociedades ditas evoluidas, de primeira categoria, quando o momento è oportuno nao se pode escapar a esta realidade. Gente queimada pelo fogo ou morrendo de frio. Lembro me de, aparte dos " coitadinhos" vagabundos em que pensais tambèm muita gente rica que morre de hipotermia no alto mar, em espediçoes a altas montanhas,etc. Gente que mesmo vivendo ao nosso lado e nascendo em condiçoes priveligiadas sao sequestrados e vivem penosas torturas, descritas nessas visoes desses reinos infernais. Tambèm o mundo dos espiritos esfomeados, que sao seres que sofrem devido à falta de comida e bebida e quando conseguem comer algo essa comida os queima por dentro, que têm bocas pequenas como uma agulha e os estômagos gigantes, se reflete no mundo dos humanos e dos animais. Quantos deles nao morrem devido à inaniçao? Quantos seres humanos e animais em paises Africanos e Asiàticos nao morrem devido a este sofrimento? muitos mais do que desejariamos è certo. Mas mesmo na nossa sociedade isso acontece. Lembro-me gente com cancer de estômago, que qualquer comida que comam è um verdadeiro sofrimento. Com ulceras e outros problemas similares. As bolimicas ou anorèticas que mesmo tendo comida, e mesmo que as suas mentes nao pensem noutra coisa que nao seja o relacionado com a comida, se privam desta. Entao poderemos ver aqui um reflexo dos reinos dos espìritos esfomeados. O reino dos animais todos conhecemos, sao descritos como um mundo de ignorancia e estupidez. Sei que para vòs que tendes animais de companhia, pode ser que discordais d termo estupidez, mas a estupidez tal como a descreve o budismo tem muito a ver com o facto de ignorar perigos, o encantamento pelos sentidos, o subter se a parametros falsos, a incapacidade fisica e intelectual de resolver problemas bàsicos, etc. O mundo dos Semi Deuses que segundo o budismo se descreve como seres de longa vida e que nao lhes faltam recursos para gozar de prazeres, mas que sempre vivem em guerras. Tambèm aqui vemos na vida dos seres humanos, os reis de paìses pobres, algum tipo de empresàrios, o mundo do coraçao como se diz aqui em españa onde toda a gente tem tudo mas passa a vida preocupado e em guerra com outros que tambèm nao lhes falta nada. E finalmente o reino dos Deuses que gozam de todos os prazeres e vivem absortos num estado de contemplaçao, tambèm se pode ver refletido no nosso mundo. Quando vemos aqueles jovens que sem esforço têm tudo, sao belos e dao-se com gente bela, vivem em climas temperados e a beleza rodeia a sua vida. Carros, casas, joias, comidas,etc. Dizemos que de entre estes seis reinos de existência o ùnico capaz de realizar a natureza ultima das coisas è a chamada preciosa existência humana.Esta existência, aparte de ter de ser humana, mesmo dentro desse reino deve ser livre de quatro condicoes desfavoraveis, que sao; aqueles que têm visoes erroneas e aqueles nascidos num periodo onde nao existe um Buda, nascido em paìses perifèricos ( onde nao nos podemos relacionar com gente virtuosa) ou sem capacidades mentais para o poder compreender. Chama-mos à liberdade em relaçao a estas oito condiçoes desfavoràveis " Ocasiao Unica". As oito condiçoes desfavoràveis como diziamos antes e para as esquematizar sao:
Nascer nos reinos infernais, espìritos esfomeados, animais
Membros das tribos perifèricas, Deuses de longa vida,
Com visoes erroneas e aqueles nascidos em periodos onde nao existe Buda e com problemas mentais.
Depois temos a " Conjuntura Perfeita" que sao as dez condiçoes que nos permitem dizer que temos uma existência preciosa. Elas sao 5 intrinsecas e 5 extrinsecas. As cinco intrinsecas sao :
Nascer ser-humano num paìs central e possuir todos as faculdades,
Nao cometer accoes crimes atrozes e ter confiança na fundaçao numa via de interiorizaçao.
As cinco extrinsecas sao:
A apariçao de um Buda neste mundo, o ensinamento da Doutrina, e existencia dos elementos dessa doutrina, haver quem pratique essa doutrina e a mantenha viva e por ultimo a compaixao e a bondade de alguèm que nos ensine.
A estas dez condiçoes chamamos de " Conjuntura Perfeita". Nestas condiçoes podemos dizer que temos uma preciosa existência humana, è chamada de preciosa porque è comparada a uma Pedra que Realiza todos os Desejos, uma expecie de lampada do Aladim. Muito dificil de obter e muito util.
Aparte disso è necessària a confiança e coragem. Existem três tipos de confiança; confiança esperança, ansia e lucida. A confiança esperança esta baseada na lei do karma e da causa e efeito. Ela è a experiência que cada um faz com a observaçao do resultado das acçoes positivas e negativas. Depois de observarmos que realmente sempre que agimos com bondade e compaixao para com os seres, sempre que refreamos as nossas emoçoes negativas sentimo-nos bem connosco pròprios e sempre que maltratamos os outros ou deixamos que as emoçoes negativas ( ira, ciumes, inveja apego, etc) invadam o nosso coraçao os resultados sao o stress, o nervosismos, o mal estar, etc. Depois começamos a ter confiança nos ensinamentos do Buda e na pròpria possibilidade de alcanzar a felicidade e temos a ansia de estudar os ensinamentos. Depois de verificar que esses ensinamentos sao verdadeiros vem a chamada confiança lùcida porque jà sabemos que os ensinamentos resistem à anàlise e à lògica. Entao fazemos o voto de tomar refùgio nas três Joias que sao o Buda, o Dharma e a Shanga. Mas sò o devemos fazer quando temos a certeza que os ensinamentos sao correctos.
Depois,como o caminho è muito dificil devido à estrutura do nosso ser, o enfrentamento da nossa pròpria paranoia è doloroso, a preguiça è grande, è necessàrio ter muita coragem. Sobretudo perante quatro factores que sao; a cobiça, o òdio o medo e a estupidez
Um ser com estas caracteristicas tem o vaso que pode conduzir à iluminaçao. Essa existência nao sò è muito dificil de conseguir mas tambèm è muito fàcil de perder. Nao devemos desaproveitar esta Ocasiao Unica, agora que temos a Conjuntura Perfeita.
Este è um ensinamento abreviado sobre a Base de trabalho.
Para o estender espero preguntas. Tambèm necessito a aprovaçao de todos para seguir a enviar os ensinamentos de forma que nao pense que estao a cair como emails normais, que a maioria nao os lemos.
Um abraço
Yeshi Gyatso ( o mais ignorante dos discipulos Thakpo Kagyu
miércoles, 13 de diciembre de 2006
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5 comentarios:
Pequeno poema aos Ensinamentos do Mestre
Assim como o vento matinal estremece as palmas das altas copas,acordando as palmeiras
para o dia,
os Ensinamentos do Mestre perspassam pelas nossas mentes
em sussurros límpidos
de palavras antigas
que despertam em nós o sentido
das experiências vividas na clara
luz dos corações compassivos
dos Budas e Bodhisattvas.
Na vida quotidiana, os Ensinamentos
repercutem-se em cada instante,
integrados na prática
como sorrisos de criança,
diluindo o medo,
originando a coragem,
destruindo o ilusório eu, diminuindo a confusão,
desbravando o caminho para os seres
que ainda apenas gatinham
no trilho da alegria
provocada pelo Dharma.
Os Ensinamentos do Mestre
são o Dharma que dissolve o ego,
e se um aroma e sabor exalassem,
seriam eles a fragância leve
e a doçura suave
de pétalas de rosa cristalizadas
pelo saber atento e as mãos hábeis
da mais carinhosa das mães.
Que esta tua mais incapaz aluna e todos os teus alunos actuais e futuros possam seguir através dos kalpas os ensinamentos do Lama Yeshe Gyatsao Sherab Dimey.
Namo Mestre
Karma Yeshe Tashi
Um espaço onde te podemos ver e ler aquilo que tens para partilhar, bem haja por o teres criado Um beijo
Ensinamento "Base de trabalho"/pergunta:
A fim de evoluirmos no caminho, para além da própria prática e estudo do Dharma, que meios se podem usar para aumentar a nossa coragem e combater a preguiça, etc. e diluir os tais factores como a cobiça, ódio, medo e estupidez?
Por exemplo: se encontrarmos alguém que, de certo modo, troce de nós ou nos tente "mostrar" que a nossa prática da meditação não serve para nada e se essa pessoa não tiver ainda as condições para entender o que se lhe possa dizer (e partindo do pressuposto que a nossa convicção na meditação não fica abalada por essa troça), devemos remeter a nossa própria mente ao silêncio (não alimentando nenhum diálogo interno sobre o assunto)ou há um mantra, um "slogan" que possamos dizer interiormente ou algum acto que se deva fazer (não sei, como sorrir ou fazer uma prostração)para reforçarmos a nossa coragem?
O facto de que alguèm troce da nossa pratica è a maioria das vezes um bom indicador que a pratica realmente nao esta a ter o resultado desejado, que è libertà-los a todos do sufrimento e gerar neles um sentimento de confiança, bem-estar, protecçao, amor, etc. Por vezes ainda assim alguns seres, apesar de todos os esforços que fazemos para seu beneficio, e nao, como dizia o poeta " (Mas sem a afectação de um santo que oficia
Nem pretensões de sábio a dar lições de amor)..., sao-nos hostis. Isto è muito raro de acontecer quando praticamos o sorriso a todos os seres. Mas quando acontece devemos pensar que uma das praticas essenciais para o alcançar da compreensao da natureza ultima do ser è a pràtica da paciência. Sem ela nao existe nem compreensao nem realizaçao da nao compreensao. Esses seres devem ser considerados mestres piedosos jà que se todos os seres se dedicassem ao nosso bem estar como mèdicos atenciosos nao poderiamos praticar dita trancendência. Alèm disso nao devemos cair no erro de pensar que eles sao nossos inimigos, porque atravès de susas acçoes eles mergulham num estado de consciência perturbador enquanto nos ajudam a melhorar e avançar atè ao Despertar. Nao devemos trocar os papèis dizendo que somos vitimas e eles os carrascos.
Muito obrigada pela útil resposta à minha questão. É importante recordar que a paciência é fundamental e que não faz sentido nenhum sentirmo-nos vítimas, pois compete-nos assumir as responsabilidade dos nossos actos e do mais que ocorre.
O exemplo dado era realmente hipotético. Não encontrei ainda ninguém que questionasse ou troçasse da minha prática nem me levantasse obstáculos para a fazer. Naturalmente, sou eu própria que ainda encontro ou crio ou não controlo algumas das dificuldades referidas no ensinamento 1/2006 "Base de Trabalho" e por isso perguntava se há outros meios (além da meditação, do estudo)simples que possam ser usados para diminuir e eliminar progressivamente essas dificuldades.
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