lunes, 11 de diciembre de 2006

Ensinamentos de Yeshi Gyatso

Queridos seguidores de la tradicion ancestral de los Thakpo Kagyu:Despois de, para alguns, 12 anos de ensinamentos continuais a pedir me que vos transmita o verdadeiro dharma. Agora vou transmitir um ensinamento estruturado pelos grandes Mestres da nossa tradiçao, KarmaKagyu. Parto do principio que todos conhecemos um bocadinho as bases, qualquer conceito muito complicado serà explicado em grupo. Nao enviarei nenhum email pessoal referente a estes ensinamentos.
A primeira parte do ensinamento tal como ensinava Gampopa, um dos grandes eruditos da nossa tradiçao e o responsàvel da esquematizaçao dos ensinamentos Kagyupas, è que antes de querer seguir o caminho budista è nesessàrio saber o porquê de dito esforço. Chamamos a isto o " Motivo"poderia ser traduzido por " Motivaçao". Porquê praticar? porquê dicar-nos ao Budismo? e porquê estudà-lo? Dizia Gampopa que o Motivo è Tathagatagarbha ou o Motivo- Buda. Tathagatagarbha è a natureza de Buda, mas para explicà-lo è necessàrio compreender que coisa è esta chamada natureza de Buda. Em primeiro lugar no Budismo dizemos que a naturezade Buda è Dharmakaya, a natureza ultima de todas as coisas. Este Dharmakaya poderia ser interpretado de três formas diferente. A primeira è a ausência de caracteristicas, nao se pode apresentar a natureza ultima da mente diante de ninguèm, nao se pode apresentar uma cor, um cheiro, nao se pode tocà-la. Dizemos que è ausente de caracteristicas. Aparte as caracteristicas de algo nao sao a natureza ultima desse algo, mas a comparaçao entre isso e o resto. A relatividade de tudo. Uma coisa è considerada grande em comparaçao com a pequena. Entao Dharmakaya è " vazio de caracteristicas".Em segundo lugar tambèm è lucidez, todos os seres fazem a experiencia do Aqui-Agora. Todos fazemos a experiencia de ser. A isto chamamos de
palavra luminosidade.Em terceiro lugar dizemos que essa natureza ultima de todas as coisas pode ter experiencias ilimitadas. Essa lucidez vazia de caracteristicas pode experimentar, dependendo do entorno em que è envolvido, todo o tipo de experiencias. A de um animal ou de um ser humano. Dentro dos animais pode experimentar uma infinidade de experiencias diferentes, assim como nos seres humanos. Chamamos a isto" Inteligencia Ilimitada" De alguma forma todos acreditamos na realidade ultima das coisas. Na existência permanente, no espìrito ou alma. Na existencia inerente de todas as coisas e sobretudo na nossa." Eu sou, aquilo è". Buda ensinou que nada tem uma existencia inerente, que todas as coisas sao vazias de existencia inerente. Para ensinar isto Buda teve de percorrer um grande caminho de observaçao. Chegou à conclusao que todas as coisas sao compostas, sendo compostas nao podem ter uma natureza pròpria.Todas as coisas sao uma concatenaçao de causas, nao existem por si mesmas. È uma ilusao vê-las como autònomas e independentes. Observando o Universo inteiro nao podemos descobrir nada que nao seja composto,que tenha uma existencia independente e com o bisturi da anàlise verificamos que de facto isto è verdade. Se buscamos a identidade independente "casa" dentro de uma casa nao a conseguimos encontrar.Encontraremos paredes, tectos, janelas, portas, etc. Depois se procurarmos a entidade parede dentro da parede tambèm nao conseguiremos encontrar, veremos tijolos, cimento,etc. Dentro do cimento tambèm nao encontraremos a natureza inerente, serà areia,àgua, etc. Dentro da agua encontraremos molèculas de H2O, hidrogènio e oxigènio. Dentro deste dois elementos encontraremos atomos. Por sua vez dentro dos atomos encontramos electroes e protoes. Como estes ultimos tambem sao compostos, nao têm natureza inerente.


E tudo o que è existente tem de ser composto. Se nao for compostoteria de ser causa de si mesmo. Algo que possua em si mesmo o conjunto de causas necessàrias para o seu aparecimento deveria aparecer sem fim. Pois as causas do seu aparecimento estariam todas reunidas e quando todas as causas estao reunidas as coisas aparecem. Tambem, por outro lado uma coisa que tem uma existencia inerente sendo causa dela pròpria teria de passar em algum momento da inexistencia à existência, mas se antes nao existia como poderia ser causa de ela pròpria? E se argumentamos que nao tem principio como poderà ter meio?Alèm disso algo que è permanente nao se pode relacionar com nada nem pode ser causa de nada pois segundo a fisica a lei de causa e efeito è reciproca para as duas partes. A causa sofre transformaçao pelo efeito assim como a semente è transformada ao causar um rebento. Se uma natureza inerente e pròpria existisse essa nao se poderia relacionarcom nada, nao se poderia transformar porque entao jà nao seria intrinsecamente igual a ela pròpria.Dizemos no budismo entao que todas as coisas sao vazias de existencia inerente. Esse vazio è o que se chama de Sunyata e o que faz com que a interdependencia dos fenòmenos e os fenòmenos possam aparecer " se os cèus fossem de pedra as àrvores nao poderiam crescer". Esse vazio de natureza pròpria, acompanhado pela lucidez y a abertura ilimitada da experiencia è o que chamamos de Dharmakaya, a Natureza de Buda. Ora como vimos essa Natureza Vazia de Existencia Inerente permeia todas as coisas e todos os seres sao permeados pela Lucidez e pelo Terreno Base ou Inteligencia Ilimitada, e por isso dizemos que todos os seres têm aNatureza de Buda. Este è o motivo que nos leva a praticar o Dharma, a aprender a meditaçao budista. A este capitulo chamamos de " O motivo".E agora torna-se claro porque è o Motivo è Tathagatagarbha.Qualquer pergunta que me queiram fazer a este respeito, e desculpo me desde jà a falta de acentos e os erros ortograficos mas nao tenho tempo de fazer uma revisao do texto e escrevo à medida que penso, pode ser enviada para esta direcçao e serà respondida com celeridade.Um abraço,Yeshi Gyatso

7 comentarios:

Armanda dijo...

Querido Mestre,
Pergunta 1: quando se adquire ou se desperta em nós a aversão pelo samsara, como é que se lida com o mundo 'mundano' na vida do dia-a-dia?

Namo Yeshe Gyatso

Gustavo Preto Pacheco dijo...

De uma forma nao samsarica

Unknown dijo...
Este comentario ha sido eliminado por el autor.
Armanda dijo...

O Ser agradece as sábias palavras e conselhos práticos de Dinis.
Para treino da mente, parte-se então do pressuposto que "O Ser e o Mundo" se separam e que, afastando-nos do 'objecto' podemos mergulhar no Ser e conhecê-lo. 'Ser' é entendido como o que corresponde ao 'self' (palavra inglesa)e se opõe a 'ego'?

Unknown dijo...
Este comentario ha sido eliminado por el autor.
Armanda dijo...

Olá, Dinis.
Obrigada pela tua participação.
Também não sou "alguém".
A pergunta que fiz sobre o 'self' -tal como o comentário que antecede a pergunta - era um pouco irónica, mas no sentido filosófico do termo ironia: um método usado pelo filósofo grego Sócrates para levar as pessoas a responderem às suas próprias perguntas por achar que elas tinham capacidade para o fazer.

Um monge budista chamado Mathieu Ricard, que também é cientista e estudou profundamente o Dharma e o pratica, disse o seguinte: "A ideia de pessoa só é válida e sã se a considerarmos como sendo um aspecto particular da interdependência global."
Para entender isto é preciso perceber o que é a interdependência. Para compreender correctamente a interdependência, é preciso estudar e praticar o Dharma. Por sua vez, para estudar e praticar o Dharma, precisamos da orientação e dos ensinamentos de um Guia Espiritual (ou Mestre ou professor)verdadeiro, pois é ele que nos transmite os meios hábeis e tudo o necessário para evoluirmos. Sem evolução espiritual, os nossos momentâneos progressos nos restantes aspectos desta vida acabam, em última análise, por ser efémeros e inúteis, já que não contribuem por si só e verdadeiramente para pôr fim ao sofrimento das pessoas e de outros seres sensíveis. Não é fácil encontrar-se um professor que possua a compaixão e a sabedoria necessárias para nos ensinar "o caminho da libertação". Mas tu, eu e outros/as tivemos o positivo carma/"karma" de encontrar o Gustavo ou de ele nos encontrar a nós, o que dá no mesmo. "Escutar" atentamente os ensinamentos dele e pô-los em prática depende da "vontade" de cada um. Enquanto aluna do Gustavo, não restam dúvidas de que a oportunidade de tê-lo como professor não deve ser desperdiçada.
Um abraço

Unknown dijo...

Olá querido amigo espiritual - Gustavo, venho por este meio agradecer-lhe toda a ajuda/atenção que me deu, neste 2º curso (em Azeitão)- verdadeiramente "nutritivo" e luzente.Já estou a praticar...Grata pela sua "luz" que me guia neste caminho que agora estou a iniciar.
Paula Oliveira Martins - Almada